segunda-feira, 10 de março de 2008

Casa comigo

Michel MelamedCasa comigo que te faço a pessoa mais feliz do mundo.
A mais linda, a mais amada, respeitada, cuidada...
A mais bem comida e a pessoa mais namorada do mundo e a mais casada e a mais festas, viagens, jantares...
Casa comigo que te faço pessoa mais realizada profissionalmente e a mais grávida e a mais mãe e a pessoa mais as primeiras discussões.
A pessoa mais novas brigas e as discussões de sempre.
Casa comigo que te faço a pessoa mais separada do mundo.
Te faço a pessoa mais solitária com um filho pra criar do mundo.
A pessoa mais foi ao fundo do poço e dá a volta por cima de todas.
A mais reconstruiu sua vida.
A mais conheceu uma nova pessoa.
A mais se apaixonou novamente...
Casa comigo que te faço a pessoa mais.

Casa comigo que te faço a pessoa mais feliz do mundo.

sexta-feira, 7 de março de 2008

08 de março - Dia Internacional da Mulher

Martha MedeirosHoje é o Dia Internacional da Mulher, que na prática não ajuda a mudar muita coisa, mas ao menos serve para reflexões, debates e crônicas temáticas. O que valeria a pena discutir hoje? Proponho um assunto sem relevância política, mas igualmente importante: o recheio. Tudo o que temos retirado de nós, tudo o que tem sido lipoaspirado de nossas vidas. Já fomos mais silenciosas. Mas, ao ganhar o direito à voz, nos tornamos mulheres aflitas, que não se permitem um momento de quietude. Falamos, falamos, falamos compulsivamente, como se fosse contra-indicado guardar-se um pouco, como se o silêncio pudesse nos inchar. Já sofremos com mais pudor. Hoje nossas deprês são extravasadas, distribuídas, ofertadas, viram capa de revista, como se a dor fosse uma inimiga a ser despejada, como se o sofrimento fosse algo venenoso e necessitasse de expulsão, como se não valesse a pena alimentar-se dele e através dele crescer. Já fomos mães mais atentas, que geravam por mais tempo, por bem mais do que nove meses. Levávamos os filhos dentro de nossas vidas por longos anos. Hoje temos mais pressa em entregá-los para o mundo, a responsabilidade pesa, e como peso é tudo o que não queremos, acabamos por nos aliviar dos compromissos severos de toda a educação. Já fomos mais românticas. Hoje o sexo é mais importante, queima calorias, melhora a pele e não duvido que um coração vazio também ajude na hora de subir na balança. Por um lado, conquistamos tanto, e, por outro, estamos nos esvaziando, querendo tudo rápido demais e abrindo mão de aproveitar o que a vida tem de melhor: o sabor, o gosto. Calma, meninas. Amor não engorda. Discrição não engorda. Reflexão não engorda. Não é preciso se agitar tanto, correr tanto, falar tanto, brigar tanto, nada disso é exercício aeróbico, é apenas tensão. Nesse ritmo, perderemos a beleza da feminilidade e acabaremos secas não só por fora, mas por dentro também. Feliz Dia da Mulher. Que nada nos sugue, tudo nos preencha.

Dia Internacional da Mulher - 08 de março

Fabrício Carpinejar
Sou desconfiado com o Dia Internacional da Mulher. Como sou cético com o Dia dos Namorados. Nessas datas, esquecemos de pensar para convencionar gestos e gastos. É um cuidado protocolar para não magoar a corrente, a enxurrada de manifestações, os compromissos festivos. Um dia de rosa deslocada dos espinhos. E qual é o espinho? Continuar comparando a mulher com o que o homem faz ou deixa de fazer. A mulher ganhou terreno no trabalho e assume cargos antes dirigidos por homens. A mulher conduz ônibus. A mulher joga futebol. A mulher apita jogos. A mulher comenta esportes. Só falta correr na Fórmula 1? Existe o hábito machista de dizer que a mulher se emancipou ou evoluiu tendo como referência a ocupação dela em atividades ditas masculinas, que na verdade nunca foram masculinas Ser dona de uma empresa e ser dona de um estádio não aumentam a cotação da mulher. Mulher não tem cotação, porém valor. Sempre foi política mesmo quando não podia se candidatar. Não depende de uma cota para ser votada. De uma chance para ser vista. De um amor para ser compreendida. De um emprego para dizer sua opinião. A mulher é incomparável desde sempre. Mania de moldar à mulher por uma realidade masculina. E o que elas fizeram antes dos homens, não conta? E o que os homens fizeram a partir dela, não conta? Não sei, não sei, é uma chatice tremenda falar de gênero quando não somos capazes de mudar a própria rotina intelectual. Mulher tem poder, que a autoridade masculina demorará a entender. Poder e autoridade são distintos. Poder é o que se conquista naturalmente, autoridade é uma adaptação social, provisória e efêmera. Meus filhos não me procuram quando estão doentes. Procuram a mãe. A confiança que emana dela vem do cuidadoso detalhe, a sinfonia corrigida à mão, o abraço que protege e conforta. A mulher oferece a intimidade da percepção, a capacidade periférica de enxergar do lado de dentro para fora. É atenciosa com o que não oferece utilidade. O homem importa-se com o domínio, não com a intimidade. Quantas vezes já vi um homem apresentar orgulhoso sua namorada como uma roupa exclusiva e cara para provocar inveja? A mulher tem a necessidade de ser feliz, o homem parece que tem a obrigação de ser feliz. Felicidade não se herda.
Arnaldo Agria Huss A duração do tempo é difícil de entender. Ele é mutante em si mesmo. Pode ser extremamente longo ou extremamente curto, em função da ausência ou da presença de alguém.

Dez frases de Fabrício Carpinejar


“Tudo foi brincadeira, tudo será sempre uma brincadeira sádica, uma brincadeira cruel, quando apenas um dos dois estiver amando.”
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"O desejo é um medo que não tem cura."
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"Não desisto de me encontrar onde não estou."
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"O poema é uma mão tremendo. Seguro no poema não para aliviar o tremor, mas para ser contagiado por ele."
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"Antes sem modos do que seguir moda."
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"Agradeço meus limites. Não me suportaria infinito. Os limites são vantagens."
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"É mais difícil arrastar uma pessoa desmaiada, morta, tudo é bem mais pesado. É necessário que tenha vida para conseguir carregar. Assim eu penso os livros."
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“Uma mulher não perdoa uma única coisa no homem: que ele não ame com coragem.”
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“A monotonia surge no momento em que o entusiasmo se transforma em obrigação.”
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“É fácil ficar em casa com chuva, difícil é ficar com o sol lá fora. Ficar em casa com sol lá fora só com muito amor dentro.”

terça-feira, 4 de março de 2008

Pessoas são músicas... você já percebeu?

Autor desconhecidoElas entram na vida da gente e deixam sinais. Como a sonoridade do vento ao final da tarde. Como os ataques de guitarras e metais presentes em cada clarão da manhã.
Olhe a pessoa que está ao seu lado e você vai descobrir, olhando no fundo, que há uma melodia brilhando no disco do olhar. Procure escutar. Pessoas foram compostas para serem ouvidas, sentidas, compreendidas e interpretadas. Para tocarem nossas vidas com a mesma força do instante em que foram criadas, para tocarem suas próprias vidas com toda essa magia de serem músicas. E de poderem alçar todos os vôos, de poderem vibrar em todas as notas, de poderem cumprir, afinal, todo o sentido que a elas foi dado pelo compositor.
Pessoas são músicas. Está ouvindo? Pessoas têm que fazer sucesso. Mesmo que não estejam nas paradas. Mesmo que não toquem na rádio.

Sentimental - Los Hermanos

De tanto eu te falar você subverteu o que era um sentimento e assim fez dele razão pra se perder no abismo que é pensar e sentir...

domingo, 2 de março de 2008

Nietzsche
Mudei-me da casa dos eruditos e bati a porta ao sair. Por muito tempo a minha alma assentou-se faminta à sua mesa. Não sou como eles, treinados a buscar o conhecimento como especialistas em rachar fios de cabelo ao meio. Amo a liberdade. Amo o ar sobre a terra fresca. É melhor dormir em meio às vacas que em meio às suas etiquetas e respeitabilidades.
Martha Medeiros

A liberdade não se veste bem,

Não tem bons modos, não liga

Para o que os outros vão dizer.

Ser absolutamente livre tem

Um ônus que poucos se atrevem a pagar.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Cláudio Lessa da Fonseca
Não sou livre, eis a verdade.
Sigo acorrentado à invenção da felicidade.
E, em tal condição, converto-me em coisa:
Posso ser trocado, comprado ou vendido.

Talvez, minha sorte esteja
Em ser, eu, produto ultrapassado.
Com defeitos, com rasuras.
Desqualificado para o mercado.
Tó CazzaliNa hora de mandar


Alguém pro inferno,


À maldade não se entregue.


Adoce sua intenção,


Balance o corpo, sorria


E diga: que o diabo o ca-reggae!
Renato Russo

Teu corpo é meu espelho

Em ti navego.

Eu sei que a tua correnteza não tem fim...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Música - Vanessa da Mata

Nosso sonho
Se perdeu no fio da vida
E eu vou embora
Sem mais feridas
Sem despedidas
Eu quero ver o mar

Se voltar desejos
Ou se eles foram mesmo
Lembre da nossa música
Música
Se lembrar dos tempos
Dos nossos momentos
Lembre da nossa música
Música

Nossas juras de amor
Já desbotadas
Nossos beijos de outrora
Foram guardados
Nosso mais belo plano
Desperdiçado
Nossa graça e vontade
Derretem na chuva

Se voltar desejos
Ou se eles foram mesmo
Lembre da nossa música
Música
Se lembrar dos tempos
Dos nossos momentos
Lembre da nossa música
Música

Um costume de nós
Fica agarrado
As lembranças, os cheiros.
Dilacerados
Nossa bela história
Está no passado
O amor que me tinhas
Era pouco e se acabou...

Marisa Monte - Até Parece

Até parece
Que não lembra
Que não sabe
O que passou
Não faz assim!...

Não faz de conta
Que não pensa
Em outra chance
Prá nós dois
Olha prá mim...

Não me torture
Não simule
Não me cure
De você...

Deixa o amanhã dizer!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Iara Vieira
Não viajo lugares.


Viajo pessoas...
Ronaldo C. Teixeira
O que me assusta

É a obscura condição

Noturna e trôpega

Dos seres humanos,

Que há muito caminham

Pela noite

Sem olhar

As estrelas.

Precisamos

(Urgentemente)

Ver

Além dos olhos,

Sentir

Além do tato

E amar

Além da necessidade.

Do filme "Nós que aqui estamos por vós esperamos."


Em uma guerra não se matam milhares de pessoas.

Mata-se alguém que adora espaguete,

outro que é gay, outro que não tem namorada.

Uma acumulação de pequenas memórias..

Grafite num muro da cidade


Nos caminhos que ninguém percorreu,
arrisca teu passo.
Nos pensamentos que ninguém cogitou,
arrisca tua cabeça.
Fernando Pessoa
Às vezes ouço passar o vento;

E só de ouvir o vento passar,

Vale à pena ter nascido.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Por não estarem distraídos

Clarice Lispector

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

Um beijo

Olavo BilacFoste o beijo melhor da minha vida,
Ou talvez o pior...Glória e tormento,
Contigo à luz subi do firmamento,
Contigo fui pela infernal descida!
Morreste, e o meu desejo não te olvida:
Queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
E do teu gosto amargo me alimento,
E rolo-te na boca malferida.
Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
Batismo e extrema-unção, naquele instante
Por que, feliz, eu não morri contigo?
Sinto-te o ardor, e o crepitar te escuto,
Beijo divino! e anseio, delirante,
Na perpétua saudade de um minuto...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

E se eu disser

Ivan Junqueira

E se eu disser que te amo - assim, de cara, sem mais delonga ou tímidos rodeios, sem nem saber se a confissão te enfara ou se te apraz o emprego de tais meios? E se eu disser que sonho com teus seios, teu ventre, tuas coxas, tua clara maneira de sorrir, os lábios cheios da luz que escorre de uma estrela rara? E se eu disser que à noite não consigo sequer adormecer porque me agarro à imagem que de ti em vão persigo? Pois eis que o digo, amor. E logo esbarro em tua ausência - essa lâmina exata que me penetra e fere e sangra e mata.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Frejat

Todo mundo é parecido, quando sente dor
Mas nu e só ao meio dia, só quem está pronto pro amor...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

O egoísmo e o amor

Vida Simples

Não se pode fazer outra pessoa feliz. Pode-se, sim, colaborar com ela na construção de sua própria felicidade. Não se dá o que é inalienável, inseparável, intransferível. Como posso dar aquilo que eu não possuo? Não possuo a felicidade, sou possuído por ela, e isso acontece quando cuido do ninho onde ela se acomoda. Esse ninho sou eu. E não há quem possa construí-lo por mim; mas sei que quando ele é aconchegante e espaçoso o suficiente, acolhe alguém mais, que é atraído por seu conforto. Então, posso compartilhar com o outro não a felicidade, mas o ninho que a atraiu, eu mesmo...

Então, se você quer fazer outras pessoas alegres, seja alegre! Quer cuidar dos outros, então cuide de você.

Estar ‘cada um na sua’ não significa ignorar o semelhante, olhar apenas para o próprio umbigo, ser egoísta... ‘Estar na sua’ significa desobrigar o outro da preocupação com você, devolver ao coletivo a energia que seria gasta para que você fosse cuidado.
Essa energia, quanto mais coletiva, mais cria a força que une as pessoas. O que, é claro, aumenta a possibilidade de um cuidar do outro, quando isso realmente for necessário.

A melhor sensação não é de ser cuidado, e sim de perceber que você pode ser cuidado, se for preciso. E é essa segurança que nos faz viver melhor, de maneira mais humana e amorosa.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Affonso Romano de Sant'AnnaDeixa que eu te ame em silêncio. Não pergunte, não se explique, deixe que nossas línguas se toquem, e as bocas e a pele falem seus líquidos desejos. Deixa que eu te ame sem palavras a não ser aquelas que na lembrança ficarão pulsando para sempre como se o amor e a vida fosse um discurso de impronunciáveis emoções.

Alberto Caeiro

Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar...

Rita Apoena

Não estou falando de um mundo cor-de-rosa ou de pessoas perfeitas, sempre prontas para nos acolher, amar, caminhar ao nosso lado. Não falo disso, mas da tristeza nos olhos de quem vira as costas e a gente não vê. A beleza por dentro de um peito encouraçado que a gente não sente. A solidão de quem afasta um amor e se deita em camas tão frias. É do instante quando os olhos se perdem no nada e nenhuma mentira é capaz de enganar si mesmo. É desse instante solitário, desse instante sem abraço, que eu digo. Todo mundo vai virar as costas ou dizer que merece coisa melhor ou debochar das mentiras que eles contaram... mas a gente pode sempre voltar e acolher com amor, ser os primeiros a começar. Afinal, se a hostilidade do mundo despertar a nossa, quem vai ser o primeiro a sorrir?

domingo, 27 de janeiro de 2008

Lia LuftTenho medo da dor de tua ausência que me queima por dentro. E da ternura eu tenho medo, dessa beleza das noites secretas quando chegas sempre como se fosse a única vez. Tenho medo de que um dia queiras cessar esse rio de águas ardentes onde mais do que os corpos tocam-se as almas, anjos desatinados luzindo no breu.

"Mas há a vida que é para ser intensamente vivida,

há o amor.

Que tem que ser vivido até a última gota.

Sem nenhum medo.

Não mata."


"Gosto de ti e do mundo que te acompanha."

Não se come uma mulher

Fabrício Carpinejar

Não sou adepto de enxergar o mundo como se fosse a primeira vez, muito menos enxergar o mundo como a última vez. Não caio na conversa fiada de estréia e de despedida. Despedir não é terminar - é procurar iniciar de um jeito diferente.

Sou homem do durante. Do meio. Do decorrer. Nada contra quem pensa o contrário, mas é um pouco de soberba inaugurar ou fechar o mundo.

Quando se ama uma mulher, é preciso a safadeza, a vontade sem pudor, o desejo diabólico, a tara. Não se conter, não se represar. A ânsia, a violência e a obsessão são permitidas. Mas tudo será grosseria desacompanhada da pureza.

Pureza é autenticidade. Não fingir, não disfarçar, não dizer o que não está sentindo. Já ouvi muito que sexo não é seguir a cabeça e deixar as coisas aconteceram. Sexo seria não pensar. Não concordo, sexo não é inconseqüência, é conseqüência da gentileza. Conseqüência de ouvir o sussurro, de ser educado com o sussurro e permanecer sussurrando. Perder o pudor, não perder o respeito. Perder a timidez, não perder o cuidado.

Sexo é pensar, como que não? E fazer o corpo entender a pronúncia mais do que compreender a palavra. Como se não houvesse outra chance de ser feliz. Não a derradeira chance, e sim a chance.

Uma mulher está sempre iniciando o seu corpo. Toda a noite é um outro início. Toda a noite é um outro homem ainda que seja o mesmo. Não se transa com uma mulher pela repetição. Seu prazer não está aprendendo a ler. Seu prazer escreve - e nem sempre num idioma conhecido.

Ela pode ficar excitada com uma frase. Não é colocando de repente a mão na coxa. Ela pode ficar excitada com uma música ou com uma expressão do rosto. Não é colocando a mão na sua blusa. Mulher é hesitação, é véspera, é apuro do ouvido.

Antever que aquelas costas evoluem nas mãos como um giz de cera. Reparar que a boca incha com os beijos, que o pescoço não tem linha divisória com os seios, que a cintura é uma escada em espiral.

É comum o homem, ao encontrar sua satisfação, recorrer a uma fórmula. Depois de sucesso na intimidade, acredita que toda mulher terá igual cartografia, igual trepidação. Se mordiscar os mamilos deu certo com uma, lá vai ele tentar de novo no futuro. Se brincou de chamá-la de puta, repete a fantasia interminavelmente. Assim o homem não vê a mulher, vê as mulheres e escurece a nudez junto do quarto.

Amar não é uma regra, e sim onde a regra se quebra.

Não se come uma mulher, ela é que se devora.

Luiz VilelaTambém não reajo contra o sentimento romântico que me domina. Por que esta preocupação de parecer o que não somos?
Ponham-me a data de 1830, mas a verdade é que esses sentimentos são de natureza eterna, e é inútil situá-los em outras épocas. Não se pode negar o homem.

Felicidade

Heinrich Heine


Oh, que dama fácil, a felicidade!
Mal se acostuma num lugar, ela já sai...
Afaga teu cabelo, cheia de vaidade,
beija-te às pressas, bate as asas e se vai.
Dona infelicidade, ao contrário,
te prende ao coração a ferro e corda.
Para ir embora, diz não ter horário,
senta-se contigo à cama e borda.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Fernando Pessoa


Eu tenho uma espécie de dever, de dever de sonhar.
De sonhar sempre, pois sendo mais do que
um espectador de mim mesmo,
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E assim me construo a ouro e sedas,
em salas supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho entre luzes brandas e músicas invisíveis
.

Manuel Bandeira

Uma mulher queixava-se do silêncio do amante:

- Já não gostas de mim, pois não encontras palavras para me louvar!

Então ele, apontando-lhe a rosa que lhe morria no seio:

- Não será insensato pedir a esta rosa que fale?

Não vês que ela se dá toda no seu perfume?

Canção

Allen Ginsberg

O peso do mundo é o amor.
Sob o fardo da solidão,
sob o fardo da insatisfação.
O peso.
O peso que carregamos é o amor.
Quem poderia negá-lo?
Em sonhos nos toca o corpo,
em pensamentos constrói um milagre,
na imaginação aflige-se até tornar-se
humano - sai para fora do coração
ardendo de pureza - pois o fardo da vida
é o amor, mas nós carregamos o peso
cansados e assim temos que descansar
nos braços do amor finalmente
temos que descansar nos braços
do amor.
Nenhum descanso sem amor, nenhum sono
sem sonhos de amor - quer esteja eu louco ou frio,
obcecado por anjos ou por máquinas, o último desejo
é o amor - não pode ser amargo não pode ser negado
não pode ser contigo quando negado: o peso é demasiado - deve dar-se sem nada de volta
assim como o pensamento é dado na solidão
em toda a excelência do seu excesso.
Os corpos
quentes brilham juntos na escuridão,
a mão se move para o centro da carne, a pele treme
na felicidade e a alma sobe feliz até o olho - sim, sim,
é isso que eu queria, eu sempre quis, eu sempre quis
voltar ao corpo em que nasci.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Milton Nascimento - Outro Lugar

Você sabe que as canções são todas feitas pra você
E vivo porque acredito nesse nosso doido amor.
Não vê que ta errado, tá errado me querer quando convém
E se eu não estou enganado acho que você me ama também.

O dia amanheceu chovendo e a saudade me contem
O céu já tá estrelado e tá cansado de zelar pelo meu bem.
Vem logo que esse trem já tá na hora, tá na hora de partir
E eu já to molhado, to molhado de esperar você aqui.

Amor eu gosto tanto, eu amo, amo tanto o seu olhar.
Andei por esse mundo louco, doido, solto com sede de amar.
Igual a um beija-flor, que beija-flor,de flor em flor eu quis beijar
Por isso não demora que a história passa e pode me levar.

E eu não quero ir, não posso ir pra lado algum enquanto não voltar.
Não quero que isso aqui dentro de mim.
Vá embora e tome outro lugar.
Talvez a vida mude e nossa estrada pode se cruzar.
Amor, meu grande amor, estou sentindo que esta chegando a hora de dormir.


sábado, 12 de janeiro de 2008

Trecho do Livro A Máquina

Adriana FalcãoSeu coração disse pra sua cabeça, vá, e sua cabeça disse pra sua coragem, vou, e sua coragem respondeu, vou nada, mas sua boca não ouviu e beijou.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Definições...

Adriana FalcãoSolidão é uma ilha com saudade do barco.
Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.
Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.
Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer "eu deixo" é pouco.
Pouco é menos da metade.
Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.
Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça.
Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.
Agonia é quando o maestro de você se perde completamente.
Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento.
Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.
Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.
Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.
Renúncia é um não que não queria ser ele.
Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe.
Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente.
Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.
Orgulho é uma guarita entre você e o da frente.
Ansiedade é quando sempre faltam 5 minutos para o que quer que seja.
Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada em especial.
Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do Sentimento.
Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.
Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.
Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é Fevereiro...
Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.
Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.
Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.
Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.
Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.
Perdão é quando o Natal acontece em outra ápoca do ano.
Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.
Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa.
Desatino é um desataque de prudência.
Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo.
Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.
Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
Emoção é um tango que ainda não foi feito.
Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.
Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.
Desejo é uma boca com sede.
Paixão é quando apesar da palavra "perigo" o desejo chega e entra.
Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não. Amor é um exagero... também não. É um "desadoro"... Uma batelada? Um exame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivessesentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor não sei explicar.

O querer

Márcia MaiaSe não doesse como se saberia quão bom não doer seria?
Caio Fernando AbreuNum deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra.

Saudade...

Márcia Maia Essa coisa que dá um nó na gente, que aperta, aperreia e faz chorar, e não tem jeito claro pra explicar que diacho é aquilo que se sente. Mais parece ser coisa de demente, não é raiva ou tristeza, nem mania, nem remorso ou amor, nem latomia, alegria, então, mesmo é que não é, é uma falta de ver quem ver se quer, é querer ter quem tanto se queria.

SOU QUANDO DEIXO DE SER

Fabrício CarpinejarQuando amo, nunca me vejo tão próprio. Sou possível. Sou véspera. Viera para ler minha vida. A praia amarelada é meu rosto pensando. O marulhar não me distrai. Os pássaros escoltam a luz até o alto-mar. Os barcos se soltam como bóias e recolhem promessas de Navegantes. Não há guerra civil. O espelho antigo perdoa as rugas que chegaram depois. As mãos são lábios apertados. O lápis não quebra a ponta ao sugerir quadros. Mas quando amo não sou eu. Quando amo, me esvazio de mim para ser ela. Eu me anulo para ser ela. Não compreendo como sou mais eu logo quando não sou. Como me sinto pleno quando saí de mim. Como me sinto lúcido ao desarticular o senso. Como me sinto guardado ao me desperdiçar. Ao me sacrificar, acredito que me reencontrei. Quando amo cedo minhas convicções, meus preconceitos, minhas verdades. Abdico para dar lugar a quem chega com sua escova de dente e seus xampus. Abro espaço no armário, vinco as roupas prediletas. Renuncio a lonjura da cama. Capaz de dormir na esquerda, mudar os hábitos e ler o jornal por segundo. Deixo o jogo passar sem consultar o rádio. Quero agradar mesmo que signifique me desagradar. Eu me bajulo de contradições e censuras. Pergunto o que ela deseja para - se sobrar tempo - me perguntar. Antecipo-me nela para me atrasar em mim. Ainda que ela me condene, seguirei a absolvendo e reincidindo. Ainda que ela me abandone, seguirei tentando e insistindo. Ainda que me destrate, inventarei motivos para procurá-la. Privo-me da vergonha, da reputação, da moralidade, para esmolar meu corpo de volta. Ou o que julgava corpo antes de encontrá-la. O corpo é a generosidade de perdê-lo. O corpo é o espaço entre ela e eu. Amar e viver não são simultâneos. Diria até que são excludentes. Ambos exigem muito para coexistirem. Posso ter vivido e não amado, posso ter amado e não vivido. É impossível sarar de um amor. Escapo-me do que sou, mas não daquilo que preciso e que não encontro sozinho. O amor mostra que qualquer coisa é modificável, qualquer passado, qualquer temperamento, menos o amor. No amor, somos tudo, menos a gente.

domingo, 6 de janeiro de 2008

"E umas das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi criadora de minha própria vida."

Gabriel Garcia MarquezÉ necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem saber ver.




Caio Fernando AbreuTalvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (...) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (...) talvez um se matasse, o outro negativasse. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Mesmo Assim

Karine Bighelini

Mesmo assim,
Permaneço fortalecida...
Olho para trás e assimilo as mudanças como gotas necessárias
Como óleo que queima, mas que também abençoa.

Passei a acreditar que tudo e todos têm um porquê
Mesmo que tentada a duvidar, muitas vezes, dos motivos reais
Meu aparente descrédito é interiorizado de certezas a serem aprendidas.

Agora, passo não mais a duvidar de nada
Nesse momento e daqui pra frente, experiencio porque sei que é preciso
Não porque quero daquela ou desta forma,
Mas, porque acima de mim, existe algo superior
E minha visão, pequena e aparente, é e será conduzida por uma essência muito maior que pensava eu possuir.

Quanta pretensão existia...
Quantas certezas afirmava ter...
Tudo aquilo e o resto foram um dia:
Luzes apagadas, portas fechadas, olhares retirados...

Ao invés do ontem
Procuro, hoje, o que antes não tinha ou não queria.
Valorizo a simplicidade à complexidade
Troco as aparentes felicidades passageiras à intensidade
Busco o amor e toda a sua sabedoria...

Sabedoria do ir e vir das ondas do mar
Sabedoria do canto e da dança dos pássaros
Sabedoria que pra uns passa desapercebida
Mas, que para mim, tornou-se muito mais que necessária.

Essa será a busca pela minha sabedoria:
Acender luzes, abrir portas e sorrir com a alma!

I Love You - Uma bela declaração de amor...

Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo? (Fernando Pessoa )

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

O contrário do amor

Martha Medeiros

O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.

Luís Fernando Veríssimo

Não deixe de acreditar no amor, mas certifique-se de estar entregando seu coração para alguém que dê valor aos mesmos sentimentos que você dá, manifeste suas idéias e planos, para saber se vocês combinam, e certifique-se de que quando estão juntos aquele abraço vale mais que qualquer palavra...

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

CERTEZAS

Mário QuintanaNão quero alguém que morra de amor por mim...Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim...Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível...E que esse momento será inesquecível...Só quero que meu sentimento seja valorizado.Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre...E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém...e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho...Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento...e não brinque com ele.E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe...Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas...Que a esperança nunca me pareça um NÃO que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como SIM.Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros... Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão...Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena.