sexta-feira, 11 de março de 2011

Carola Saavedra

(…) E era uma felicidade desesperada, haveria algo assim, uma felicidade desesperada? Estava tudo bem novamente, e eu te abraçava e te beijava com ânsia, com fúria, eu te arrancava a roupa e machucava os dedos arrancando a tua roupa, a expectativa do teu corpo nu, da tua pele, como nunca até então, e, ao te ver finalmente nu, o teu corpo nu, como podia ser tão belo, o teu corpo nu, eu pensava, como era possível aquela beleza, aquela arrogância? E eu que exasperada me desfazia da própria roupa, eu que mal me dava tempo e levantava a saia e abria as pernas ao sentar no teu colo, e sentava lentamente no teu colo, as pernas abertas, o meu olhar úmido grudado no teu, o corpo que se encaixava em descenso, eu que sentia como uma queda, um desfalecimento, o encontro daquela nossa desnudez, a exatidão da tua pele nos traços mais delicados da minha pele, e o roçar dos meus seios no teu peito, na tua boca, e eu que te abraçava, cada vez mais profundamente, e te beijava, cada vez, minha língua acariciando a tua, haveria algo assim? Eu que arqueava e desarqueava o corpo, e te sussurrava promessas e frases desconexas no ouvido, eu que te arranhava, eu que te agarrava e te mordia e te apertava, eu que sentia o suor escorrendo pelo rosto, e o meu corpo que se arqueava e desarqueava e me parecia líquido, todo fluxo, todo sangue. Eu que era toda um gemido lento e interminável. E a cada instante eu pensava, como era possível?


Lucas Brandão


Pro amor não existe saída. A partir de você não há mais despedida.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Sá e Guarabira


Acredito naquilo que corre no sangue de nós dois
Tenho fé no que ainda precisa chegar depois
O dom e o lugar de dar nosso amor
Como planta crescendo sem chuva no meio do verão
Ter guardado a esperança no fundo do coração
E o som que será canção e calor.

Tai Cavalheiro


Ele escrevia
Um dia ela leu
E o amou.
Tomou coragem e escreveu também.
Ele gostou.
Ela lia ele.
Ele escrevia ela.
Ela escrevia pra ele.
Ele lia ela.
Escreviam alegria, liam sorrisos.
Escreviam desejo, liam paixão.
Se amavam de longe
Se sentiam tão perto.
Amor de poesia.
Amor de palavras.
De leitura e escrita.
Se amavam , sem se saber amados.
Se amavam, sem saber se amavam.
Um dia se encontraram
E ficaram em silêncio…