domingo, 23 de outubro de 2011

Fernanda Mello


Sigo a vida conforme o roteiro, sou quase normal por fora, pra ninguém desconfiar. Mas por dentro eu deliro e questiono. Não quero uma vida pequena, um amor pequeno, um alegria que caiba dentro da bolsa. Eu quero mais que isso. Quero o que não vejo. Quero o que não entendo. Quero muito e quero sem fim. Não cresci pra viver mais ou menos, nasci com dois pares de asas, vou aonde eu me levar. Por isso, não me venha com superfícies, nada raso me satisfaz. Eu quero é o mergulho. Entrar de roupa e tudo no infinito que é a vida. E rezar – se ainda acreditar – pra sair ainda bem melhor do outro lado de lá.

Guimarães Rosa

Qual o caminho da gente? Nem para frente nem para trás: só para cima. Ou parar curto quieto. Feito os bichos fazem. Viver... O senhor sabe: viver é etcétera...

Ingrid Brasilino


Estou tirando a poeira dos livros, abrindo as janelas, semeando amor-perfeito, colhendo sorrisos e fechando o guarda-chuva sem medo de sair molhada. Porque aos poucos aprendi que não interessa o tamanho do corte, mas o tempo e a forma da cicatrização. É nos por menores que se faz a soma, na vida que se sonha e através dos desejos que se (re)começa.

Lya Luft


Se me quiserem amar, terá de ser agora: depois, estarei cansada. Minha vida foi feita de parceria com a morte: pertenço um pouco a cada uma, para mim sobrou quase nada. Ponho a máscara do dia, um rosto cômodo e fixo: assim garanto a minha sobrevida. Se me quiserem amar, terá de ser hoje: amanhã, estarei mudada.