Eu soube: o amor exige expressão. Ele não pode permanecer quieto, não pode, jamais, ser visto sem ser ouvido. O amor deve ecoar em bocas de prece, deve ser a nota mais alta, aquela que estilhaça e que entorna todos os líquidos.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
sábado, 18 de abril de 2009
Aprendendo a viver
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Daniel Galera
No entanto ela me encarava sorrindo, com os mesmos olhos que eu encontrava nas manhãs, um olhar que nos conectava e expressava que éramos parte um do outro. É difícil imaginar sensação de maior conforto e serenidade que esta, que surge da ilusão elaborada de que fazemos parte da vida de uma pessoa a ponto de estarmos verdadeiramente unidos, de tudo estar bem se o outro estiver por perto, se apenas nos for dada a chance de saciar os desejos e interesses um do outro, de tolerar um ao outro quando sacrifícios forem necessários e deixar que todo o resto se foda, se destrua e morra, porque não haverá problema.
Raduan Nassar - Lavoura Arcaica
(...) não se questiona na aresta de um instante o destino dos nossos passos. Bastava que eu soubesse que o instante que passa, passa definitivamente, e foi numa vertigem que me estirei queimando ao lado dela, me joguei inteiro numa só flecha, tinha veneno na ponta desta haste e, embalando nos braços a decisão de não mais adiar a vida, agarrei-lhe a mão num ímpeto ousado. Você pra mim
É incrível, a nossa história, sem nenhuma prova concreta.
Só palavras, que voam com o vento
imagens que eu trago na memória
um segredo inviolável
de uma paixão inflamável
mas que nunca, nunca incendeia
nem em noite de lua cheia....
às vezes,
fico dias inteiros, imaginando e pensando em você
e eu fico com tantas saudades
que até parece que eu posso morrer
pode acreditar em mim
você me olha
eu digo sim
mas eu nem sei se sofro assim
o que eu quero é você pra mim.
Mãos atadas
Cada maldito espaço vazio no tempo perdido
faz de você um quase inatingível objetivo...
traçado inesperadamente pelo querer repentino.
Será assim até que o contrário meu coração sinta.
Essa inundação de espasmos,
relâmpagos nada acanhados...
fez de mim, alma desprotegida,
habitante de corpo febril.
Como pode uma alma desesperada ser acasalada
pelo corpo em chamas sem se desfazer em larvas?
Insólita vivência, onde permeia meu querer, meu não poder...
Enquanto dói, de minuto em minuto, vejo a água dos meus olhos escorrendo.
Sigo vencendo os dias atolados em um oco...
esperando ser preenchido pela presença imaginada do cheiro.
Vago tecendo, nas horas, as esperanças remanescentes da pouca fé que tenho...
almejando encher meus olhos da cor dos seus a olhar-me.
Atravesso meu vácuo estar, contando pérolas da vontade quente...
Mas...
se... por fim, chegar a hora H...
vou entrega-lhe meu sorrir expansivo na bandeja do meu amor abrigo do seu...
andamos, assim, de mãos atadas...
esperanças nada exageradas,
amor imenso, submerso no vago abraço não dado.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
No conforto dos teus braços
Rita Ribeiro
Oito horas de vôo num ConcordeCinco dias num barco mar adentroSete noites dormindo ao relentoSete ciganas lendo a minha sorteQuatro dias, em pé, no trem da morte Vinte léguas montado num jumentoSete mil flores no meu pensamentoE eu trilhando os últimos espaçosPra ficar no conforto dos teus braçosQualquer coisa no mundo eu enfrento... Valentia de pai ou de irmãoConcorrência com o astro do momento Temporal, tempestade, chuva e vento Holocausto, hecatombe e tufãoDesemprego, palestra e sermãoTititi, coqueluche, casamentoPé de ponte, mansão, apartamentoPaparazzi, sucessos e fracassosPra ficar no conforto dos teus braçosQualquer coisa no mundo eu enfrento... Ladroíce, mutreta, malandragemÁlcool, droga, barato, passamentoAmnésia, larica, esquecimentoRoubalheira e má politicagemCabaré, palacete, sacanagemFome, greve, motim, acampamentoConfusão, batalhão, fuzilamentoReclusão, solidão, sonho aos pedaçosPra ficar no conforto dos teus braçosQualquer coisa no mundo eu enfrento...
sábado, 4 de abril de 2009
Minha fonte
Amo-te quanto em largo, alto e profundo
Minh’alma alcança quando, transportada,
Sente, alongando os olhos deste mundo,
Os fins do Ser, a Graça entressonhada.
Amo-te em cada dia, hora e segundo:
À luz do sol, na noite sossegada.
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não pedem nada.
Amo-te com o doer das velhas penas;
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
E a fé da minha infância, ingênua e forte.
Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida. E, assim Deus o quisesse,
Ainda mais te amarei depois da morte.

