segunda-feira, 5 de março de 2012

Eros Trovador


Seguro um pouco de tudo que me escapa
sou escada

Colho um pouco das flores que sorriem para mim
sou jardim

Faço com um pouco de música um belo nó de gravata
sou serenata

Coloco em minha angústia um pouco de tempero
sou cozinheiro

Varro um pouco das folhas secas do chão
sou solidão

Escolho um pouco das palavras que meço
sou verso

Jogo o que está embaixo pra cima
sou rima

Lícia Manzo in A vida da gente


Quem teve o privilégio de viver muito, sabe que o tempo é um mestre muito caprichoso. Às vezes as suas lições são tão repentinas que quase nos afogam. Outras vezes elas se depositam devagar, como a conta-gotas, diante da avidez de nossas perguntas. E por isso, quem teve o privilégio de viver muito tempo, aprende a olhar com serenidade o turbilhão da vida. Amores ardentes se extinguem, urgências se acalmam, passos ágeis alentam. Enfim, tudo muda. Muda o amor, mudam as pessoas, muda a família, só o tempo permanece do mesmo modo, sempre passando.

sábado, 3 de março de 2012

Erikah Azzevedo

 
Fazer do próprio caminho o corpo do outro a ser percorrido
e apreciado na minunciosidade das paisagens,
sem atalhos a serem percorridos,
um andar de mãos, em passos lentos...de dedos,
coisa de pele e pêlos,
por entre sabores , texturas e cheiros
....o outro é sempre um mundo de descobertas,
e nós somos pro outro um mundo a descobrir.

Fernanda Gaona

No meu imaginário é possível tocar o impalpável. A mente existe pra ser usada, pra alcançar aquilo que a realidade não consegue atingir. Se a rotina me prende, a imaginação me liberta. Não consigo viver apenas do óbvio. É a busca por algo novo que me movimenta. Que me transporta. Que me transforma. Que me inspira.
Tocar o improvável me faz menos previsível!