terça-feira, 18 de outubro de 2011

Paulo Sant'Ana


O amor não resiste a distância nem à proximidade. A distância gela-o, a proximidade torra-o. O amor só sobrevive ao frio temperado ou ao fogo lento. A certeza é avessa ao amor. A certeza só é apanágio da amizade. A essência do amor é a dúvida. A segurança é inimiga do amor. Para que o amor cresça e se incendeie é preciso que ele corra perigo. No amor, a consciência da posse tem de estar sempre acompanhada do medo da perda. Só o medo da perda pode levar ao cultivo cuidadoso da posse. Só o "eu te amo" não basta como lema do amor. É imprescindível o "eu te amo cada vez mais". Porque o amor é uma sucessão de degraus, é uma escalada incessante. A estabilidade da paixão redunda em cansaço e fastio, é o fim do amor. O amor é um rali, uma gincana, um kerb. Só um Indiana Jones pode enfrentar as sucessivas armadilhas do amor. Só os fortes amam, os fracos vão sucumbindo. Exatamente como no vôo persecutório dos zangões na corrida altista da abelha rainha. Aquele que cansa do amor, desaba das alturas. Quem não quiser arriscar-se no jogo perigoso que leva às inefáveis delícias do amor, que permaneça no insosso do chão vegetativo. E os que se verem tentados a amar, saibam que se atiram à glória ou à desgraça. À felicidade ou ao abismo. Se houver impacto especial no beijo ou no olhar, não tem mais volta. 

3 comentários:

eliane.100.silva disse...

Como se torna físicas as sensações através de tal escrita. Excelente!

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