sexta-feira, 20 de maio de 2011

Maria


Faz alguns dias ela resolveu aceitar a companhia, a amizade e o carinho. Resolveu aceitar que passado a gente não esquece, mas presente a gente é que escolhe. Ela entendeu que problema que a gente inventa é a gente que resolve. E ela resolveu. Assumiu o afeto escondido (pois amor não se esconde, irremediavelmente). E decidiu aceitar. Depois de muito pensar ela decidiu dar uma chance a ele. E a ela, principalmente. Arrumou o coração e permitiu os prós de uma companhia, a despeito dos contras. É o preço do amor e ela resolveu pagar. Aceitou o sono compartilhado, aceitou as dificuldades e as delícias da companhia constante, aceitou dividir os planos, o cansaço e outras coisinhas. Amor quando acontece é assim: sem desculpas. Ela entendeu que alegria pode ser escolha e não sorte. E que quando a gente não encontra paz em alguém a gente se faz a paz de alguém. Ela descobriu que a gente pode ser o lugar de repouso que tanto procura. E ela anda toda feliz desde o dia que escolheu que assim seria! Ela aceitou, resolveu, decidiu: ia ser amada. E ponto final.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Spencer Johnson in O Presente Precioso


O presente é o que é. E é valioso. Mesmo que eu não saiba por quê. Já é justamente como deveria ser. Quando eu vejo o presente, aceito o presente e experimento o presente. Estou bem, e estou feliz. A dor é apenas a diferença entre o que é e o que eu quero que seja. Quando me sinto culpado por meu passado imperfeito, ou me sinto ansioso por meu futuro desconhecido, eu não vivo o presente. Sinto dor. E me faço doente. E sou infeliz. Meu passado foi o presente. E meu futuro será o presente. O momento presente é a única realidade que eu experimento.

Patrícia Antoniete


É esquisito que teu nome sempre me soe uma prece, uma invocação sagrada e solene, que contém em si um segredo místico viajando pelo tempo, como se trouxesse consigo o desejo implícito dessa maneira única com que moves as mãos, com que abres a boca, com que recostas teu corpo, com que deixas o riso fugir pelos olhos. É estranho que teu nome sempre me soe uma promessa e um dom, como se bastasse pronunciá-lo para que a vida abra uma porta secreta, para que se insinue um milagre prestes a ser, eu assim em ti, simplesmente em teu nome.
(...)
A fome das coisas incertas a que me remete tua voz, fome imprecisa e ambulante que ora tenho nas mãos, ora tenho nos olhos, ora pede-me asas, ora crava raízes no chão. A fome vaga do cheiro dos teus cabelos, a fome oca do teu abraço longínquo, essa fome voraz que devoraria o ar que respiras, a fome triste dos lugares vazios que ocupaste. Fome de dias invividos, fome de antes, fome de quando, fome dos ses guardados embaixo da cama.
(...)
Fervilho, e ao te encontrar, transbordo. Saltito e ao te encontrar, vôo. Recito e ao te encontrar, canto. Me alegro e ao te encontrar, rebento. Há em mim a latência da amplidão que encontro sendo mais de mim nas coisas que sabemos, há em mim uma prenhez de infinitos que espera tua chegada para se realizar em nós, há em mim o sonho que nos ensinamos a sonhar e quisemos desde sempre ser. Te espero vestida da nudez das horas, com os braços fecundos dos dias que serão nossos, com a alma em véspera de amor maior
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